Quantos?

domingo, setembro 26

E o Óscar para a melhor loucura vai para ... mim, e a minha demência mental!

7:20 a.m.. Acordo com uma rajada de vento que parecia ir fazer a varanda do meu quarto levantar vôo a qualquer momento. Resolvo levantar-me e ir até à sala ver se já está sol ou se está nublado. Mal me aproximo da porta da rua, começo a ouvir barulhos. Parece alguém a subir os degraus. E penso "Foda-se, quem é o louco que resolve subir 11 andares a pé?". Aí, o meu cérebro começa com filmes. E se é um ladrão? E se me vão assaltar? Eu sou só uma, e sou fraquinha, não meto medo a ninguém. Quem quer que fosse acabava comigo em dois minutos. Começo a passar-me. Visto-me. Camisola, calças, chinelos e óculos. Telemóvel, dinheiro, andante, chave de casa e tabaco. E saio de casa, sem destino definido. Enquanto o elevador descia, já me imaginava a parar num andar qualquer e a dar de caras com um estranho armado, com cara de psicopata. Vá, aposto que o meu ar de psicótica àquela hora da manhã ganhava. 
Na rua, resolvo ir até ao metro e depois logo se vê. Sinto-me logo estúpida, mas seria pior se de repente voltasse para trás. Chego ao metro. Entro. Já há algumas pessoas na rua, já são 8 da manhã. Resolvo sair no Jardim do Morro. Fumo o meu cigarro a observar a bela paisagem matinal do Porto; como esta cidade me acalma! Fico mais um pouco, a pensar na vida. Não cheguei a decisão nenhuma, para variar. São 8:30. Apanho o metro de volta para casa. Pelo caminho, ponho-me a pensar se não teria coragem para subir eu as escadas até ao 11º. Loucura pura. Mas pelo menos assim sei o tempo máximo que alguém demoraria a subi-las (referência para o tempo máximo possível para subir aquelas escadas todas: eu, boémia, naturalmente preguiçosa, com traços psicomotores mais do que vincados e chinelinho de dedo às 8:45 da manhã). A minha ideia mudou quando pelo caminho senti uma rajada de vento que não me fez levantar vôo, mas fez os meus ossos bater os dentes de frio. Elevador então.
Chegada a casa, dou-me conta que nada aconteceu. Já há pessoas acordadas no prédio. Mas o barulho continua. Após exaustiva reflexão (de dois minutos no máximo), eis que surge a lâmpada por cima da cabeça: era o vento. Não se riam, isto de viver no último andar faz com que num belo dia de Verão às vezes pareça estar a chegar um tornado.
E pronto, depois de tamanha odisseia, fui para a cama, de onde saí minutos atrás.

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