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quarta-feira, novembro 24

O dia em que troquei os meus ideais por tequila

Depois de ter ido a Pinhel, a Rita diz que eu sou uma versão feminina de todos os meus amigos rapazes. Como é óbvio, porque isto é um local público e porque há coisas que iriam denegrir a minha imagem (não digo denegrir vá, mas há coisas que se as outras pessoas souberem sobre nós por nos conhecer e não por nós dizermos, parecem mais suaves), não vou divulgar os factos que fazem a Rita dizer isto.
Mas pronto, estava eu a dizer que sou parecida com os rapazes de Pinhel. Quem conhece os rapazes de Pinhel, sabe que são uns revolucionários. E eu, por influência ou sei lá porquê, sou uma revolucionária pura também. Lutar por um mundo melhor, contra as desigualdades sociais e o aquecimento global. E pronto, hoje, dia 24 de Novembro de 2010, é o dia da Greve Geral.
Não me batam, mas sou um bocado contra as greves. Quer dizer, sou a favor da greve. Mas como deve ser. Com manifestações. Com as pessoas a aparecerem no seu local de trabalho às 9 da manhã como se fossem trabalhar mas não trabalharem. Nem fingirem trabalhar, que é o que muita gente faz. Sou contra o "Vou fazer greve, vou ficar na cama a dormir a manhã toda e ficar no sofá a ver tv a tarde toda". Então, em todas as greves, acordo a horas de ir para a escola/faculdade. Claro que não vou. Olhem para mim sozinha, tipo idiota, na faculdade. Não teria lógica. Aliás, fui uma vez. Porque foi uma coisa como deve ser. Nunca mais me esqueço. Foi no 11º ano. Fechámos a escola e tudo. Impecável. Nada de aulas de substituição no secundário, que nós andávamos lá porque queríamos que já não era ensino obrigatório. E, aliás, o protesto continuou até ao fim do secundário, uma vez que da minha turma quase ninguém punha os pés nas substituições.
Já divaguei. Voltando à greve. A verdade é que em Pinhel greve significava ir à escola na mesma, até porque nunca sabíamos se os professores iam alinhar. E berrar, mandar vir, resmungar, isso tudo. Aqui, no Porto, é diferente. Greve é não pôr os pés na faculdade porque, mesmo que os professores não fizessem greve, hoje é quarta-feira e só tinha teóricas e então fazemos greve nós. E pensei eu "Vou acordar cedo na mesma. Limpo a casa, estudo e tal... Ponho as minhas coisitas em ordem. E fui solidária com os meus ideais." Mas, depois desse pensamento, veio o seguinte "A garrafa de tequila ainda nem a meio vai!" E lá fui eu, ainda a pensar acordar cedinho, para casa da minha afilhada beber um bocadinho de tequila. Mas, sabe-se bem, uma jovem de 20 anos tem demasiados dramas para beber só um bocadinho. E a tequila parecia água. Acho que na noite passada estava na plena forma. E a garrafa acabou. Mas ainda havia cerveja. E a noite parecia uma criança e os meus problemas quase fugiram. E foram trocados por gargalhadas, karaoke e o segundo concerto da Wandíssima. E os meus ideais foram feridos pelo relógio, quando abri os olhos hoje de manhã e afinal já não era de manhã. Eram duas da tarde.

1 comentário:

  1. Hoje tive tempo para escrever e o tema coincidiu com o teu ! xD

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